China investiga ministro da Gestão de Emergências por alegada corrupção
As autoridades chinesas anunciaram que estão a investigar o ministro da Gestão de Emergências, Wang Xiangxi, por alegadas "graves violações da disciplina e da lei", expressão habitualmente usada em casos de corrupção.
A Comissão Central de Inspeção Disciplinar (CCDI, na sigla em inglês), poderoso órgão anticorrupção do Partido Comunista Chinês (PCC), e a Comissão Nacional de Supervisão, órgão estatal, anunciaram em comunicado que Wang está a ser submetido a uma revisão disciplinar e a uma investigação de supervisão, sem fornecer mais detalhes sobre os factos que lhe são imputados.
Wang, de 63 anos, ocupa o cargo de ministro e secretário do comité do partido no Ministério de Gestão de Emergências e é membro do XX Comité Central do PCC.
A investigação faz parte da campanha anticorrupção impulsionada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde a chegada ao poder em 2012, e que já atingiu altos cargos do partido, do Governo, do Exército e de grandes empresas estatais.
Num outro caso, o ministério da Defesa da China anunciou, há uma semana, investigações a Zhang Youxia, de 75 anos e vice-presidente primeiro da Comissão Militar Central (CMC), e ao general Liu Zhenli, então chefe do Estado-Maior Conjunto da mesma comissão, por "graves violações da disciplina e da lei".
Zhang é considerado o número dois das Forças Armadas chinesas, abaixo apenas do Presidente chinês, que lidera a CMC. É também um dos 24 membros do Politburo do PCC, órgão central de decisão política.
As investigações a ambos os oficiais alteraram profundamente a estrutura de comando militar: dos sete membros que compunham a CMC no final de 2022, restam agora apenas dois -- Xi Jinping e Zhang Shengmin, segundo vice-presidente e responsável máximo pela campanha anticorrupção no Exército.
Em 2025, as autoridades chinesas investigaram 115 funcionários de nível provincial, ministerial ou superior, de acordo com dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar que coincidiu com o início do XV Plano Quinquenal (2026-2030).
Apesar da campanha de Xi ter revelado importantes casos de corrupção no seio do PCC, críticos apontam que esta pode estar a ser usada para afastar adversários políticos.